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História geral da dança do ventre

  • Foto do escritor: Patrícia Kalidus
    Patrícia Kalidus
  • 4 de abr.
  • 27 min de leitura

A história da Dança do Ventre

Dança do Ventre - Essa denominação deve-se aos movimentos predominantes no ventre

e quadril feminino. A Dança do Ventre é a mais feminina e sensual de todas as danças. A

mulher, através da música árabe, une seus movimentos, sua expressão e sua sedução,

transformando-os, no palco, em sentimentos, que compartilha com seu público.

Qual a origem da Dança do Ventre? Ao certo, não se sabe. A origem da Dança do Ventre

remonta tempos muito antigos, sobre os quais existe muito pouca ou nenhuma

documentação. Muitas histórias foram criadas na tentativa de ilustrar o seu surgimento, e por

isto é necessário um cuidadoso trabalho de pesquisa e muito bom senso no momento de

identificar se uma informação é falsa ou verdadeira.

Uma das explicações mostra que a Dança do Ventre teria suas origens nos rituais religiosos do

Antigo Egito há aproximadamente mais de 7000 anos, onde a dança era praticada por

sacerdotisas como forma de homenagear a deusa Isis, Deusa da fertilidade. A dança era

realizada por sacerdotisas treinadas desde meninas para servirem como “canal da Deusa” nos

rituais religiosos. Nos rituais antigos eram oferecidos flores de lótus, incensos, essências, água

e frutas. Enquanto os sacerdotes preparavam a cerimônia, as sacerdotisas eram as

responsáveis pela abertura de um canal para o plano espiritual através do cântico e da dança,

para que a energia divina se manifestasse. Sem a presença delas, nenhum ritual poderia

realizar-se. Cantavam e dançavam, envoltas por um véu, e ao retirá-lo, demonstravam que o

mistério do universo seria revelado.

Os ensinamentos da dança e do ritual eram transmitidos de geração a geração até a queda do

império egípcio, quando perdeu seu conteúdo original e recebeu influência de outros povos.

Com a invasão do povo Árabe no Egito, a dança foi incorporada à cultura árabe, assumindo

ares mais festivos. Passou a ser praticada em festas populares e em palácios.

Atualmente, é uma dança tradicional da cultura dos países do Oriente Médio, sendo também

praticada em várias outras regiões do mundo como uma dança típica. No Egito, é comum

haver apresentações de Dança do Ventre em cerimônias de casamento. Por vezes, os noivos

desenham as suas mãos no ventre da dançarina. Isto seria uma referência ao relacionamento

da dança aos cultos de fertilidade.

A dança expandiu-se pelo mundo inteiro com a ajuda dos viajantes, mercadores e povos

nômades (como os ciganos e beduínos), juntamente com outras características da cultura

Árabe, tais como a culinária, a literatura e a tapeçaria. A Dança do Ventre chegou

definitivamente ao ocidente no século XIX, e é considerada uma das danças mais antigas da

história da civilização. Sua história acompanha a da humanidade e tem um peso cultural que

merece ser respeitado.

Nos mais de 7 mil anos de história da Dança do Ventre, ela sofreu influências variadas e foi

desenvolvida por mulheres de diversos povos, como indianas, ciganas e africanas, acumulando

em cada região diferentes interpretações e significados. Atualmente, ela ainda se encontra em

um contínuo processo de desenvolvimento, recebendo influências diversas, como por

exemplo, da Dança Contemporânea e do Flamenco. Independente das diversas influências,

não é difícil identificar o seu estilo por meio de determinadas característica.


Em cada região, a Dança do Ventre recebeu um nome: no Egito é chamada de Raqs El

Sharq ou Raqs Sharqy, que significa "Dança do Oriente" ou "Dança do Leste"; na Grécia é

chamada de Chiftitelli; na Turquia de Rakkase; na França de Dance du Ventre e no mundo

ocidental é mais conhecida como Belly Dance ou Dança do Ventre.

Seus movimentos permitem uma grande diversidade de variações. Apesar da variedade de

estilos, uma característica permanece: os movimentos de quadril, alternadamente

ondulatórios e vigorosos. Sua mensagem alegre e positiva vem conquistando gerações,

que buscam preservar e difundir as suas características: sensualidade, leveza, beleza, alegria,

vitalidade e expressão.

A Dança do Ventre tem envolvido desde o início do século XX grandes profissionais -

dançarinos, coreógrafos, figurinistas, etc, passando a fazer parte de eventos cada vez mais

sofisticados e luxuosos. Com isto, sua característica original (de prática não codificada e de

improvisação) transformou-se num elaborado trabalho de produção, fruto de exaustivo

treinamento e numerosos ensaios. Nos grandes festivais realizados no Egito, no Líbano e na

Turquia, as mais famosas dançarinas apresentam-se acompanhadas de grandes orquestras.

A Dança do Ventre designa-se unicamente ao corpo feminino, enfatizando os músculos

abdominais e os movimentos de quadris e tórax. Tradicionalmente ela é praticada com os pés

descalços firmados no solo, como forma de estabelecer um contato direto com a energia da

Mãe Terra, e caracteriza-se pelos movimentos suaves, fluidos, complexos e sensuais do tronco,

alternados com movimentos de batida e tremido.

Estilos de Dança

É fundamental entender e reconhecer as características dos diversos estilos de dança e ritmos

da música árabe, para acompanhar as suas constantes alternâncias e poder aplicá-los

corretamente, com movimentos específicos. Conheça alguns destes estilos:

Dança com véus

“O véu tem importante simbologia nas danças orientais e seus giros lembram o ritmo da

criação. A dançarina se entrega ao movimento. E o véu, extensão da sua aura, se expande,

levando a luz.”

Não se sabe ao certo a origem da dança com véus. Alguns dizem que é um estilo mais

moderno trazido pelas Norte Americanas, outros que a origem é muito antiga e dizem também

que ela tem suas raízes na dança dos sete véus. O véu atualmente é um dos símbolos mais

comuns da Dança do Ventre e são muitos os movimentos aplicados. Alguns são usados

especialmente para emoldurar o rosto ou o corpo da dançarina, assim envolvendo-a em

mistério e magia. O véu tem o encanto de mostrar sem revelar.

Dança com snujs

Pequenos címbalos de metal, os snujs eram usados pelas sacerdotisas para energizar, trazer

vibrações positivas e retirar os maus fluidos do ambiente, além de servir para acompanhar o

ritmo da música.


Dança das taças

A dançarina exterioriza sua deusa interior. As velas representam a vida, muito usadas em

festas de aniversário, casamentos...sempre trazendo luz para uma nova fase!

Dança da espada

Existem várias lendas para a origem da dança da espada. Uma delas diz que é uma dança

em homenagem à deusa Neit, uma deusa guerreira. Ela simbolizava a destruição dos

inimigos e a abertura dos caminhos. Uma outra, diz que na antiguidade as mulheres

roubavam as espadas dos guardiões do rei para dançar, com o intuito de mostrar que a espada

era muito mais útil na dança do que parada em suas cinturas ou fazendo mortos e feridos.

Dançar com a espada permite equilíbrio e domínio interior das forças densas e agressivas. Uma

terceira lenda conta que na época, quando um rei achava que tinha muitos escravos, dava a

cada um uma espada para equilibrar na cabeça e dançar com ela. Assim, deveriam provar que

tinham muitas habilidades. Do contrário, o rei mandaria matá-lo.

Nesta dança, a bailarina deve ter habilidade para equilibrar com graça e naturalidade a espada

na cabeça, no peito e na cintura e desenvolver outros movimentos possíveis com este

acessório.

Dança do candelabro

Este tipo de dança existe há muitos anos e fazia parte das celebrações de casamento e

nascimento de crianças. É tradicionalmente apresentada na maioria dos casamentos egípcios,

aonde a dançarina conduz o cortejo do casamento levando um candelabro na cabeça. Desta

maneira, ela procura iluminar o caminho do casal de noivos, como uma forma de trazer

felicidade para eles.

Dança do bastão

Dança folclórica, masculina originária de Said, região do Alto Egito, chamada Tahtib. Nela são

usados longos bastões chamados Shoumas. Estes bastões eram usados pelos homens para

caminhar e para se defender. Said também é o nome do ritmo originário desta região. As

mulheres costumam apresentar-se utilizando um bastão leve ou uma bengala, imitando-os,

porém com movimentos mais femininos. Durante a dança, a mulher apresenta toda a sua

habilidade, equilíbrio e charme. Costuma-se chamar esta dança feminina de Raks El Assaya. A

Raks El Assaya foi introduzida nos grandes espetáculos de Dança do Ventre pelo coreógrafo

Mahmoud Reda. Fifi Abdo teria sido a primeira grande dançarina a apresentar performances

com a bengala.

Dança com pandeiro

Dança Folclórica, sempre feita com o sentido da comemoração, da alegria e da festa. Assim

como os snujs, acompanha-se seu som com o ritmo da música.

Khaleege

Dança folclórica originária do Golfo Pérsico, área da Península Arábica que engloba países

como Arábia Saudita, Kuwait, Oman, entre outros. O nome da dança vem exatamente de suas

origens: khaleege, em árabe, significa golfo. Também é conhecida como Raks El Nacha’at. Essa

dança, praticada somente por mulheres, é comumente vista em festas familiares desde a

Antiguidade até os dias de hoje.


Para dançá-la, a bailarina usa longos vestidos, cobrindo praticamente todo o corpo. A

execução da dança traz uma simples marcação para os pés, sendo o ponto forte da

apresentação o trabalho de mãos, braços, cabeça (e cabelos - em geral, longos), com

movimentos circulares, formando a figura de um oito, etc. O ritmo utilizado é o soudi.

Dabke

Dança folclórica típica libanesa, originaria do trabalho de assentar os telhados de barro

nas aldeias do Líbano. Homens e Mulheres dançam lado a lado de mãos dadas a

batidas constantes. Estilo muito alegre, quando típico, os dançarinos usam vestimentas que

lembram suas vidas nas montanhas do Líbano. É a dança folclórica mais viva no Líbano

atualmente.

Meleah Laf

Meleah Laf significa lenço enrolado. Dança folclórica, vista no Egito, mais especificamente no

subúrbio do Cairo. Nos anos 20, surgiu uma moda no Cairo, onde as mulheres da sociedade

começaram a usar o Meleah, grande lenço preto, enrolado ao corpo. A moda passou, mas as

garotas do subúrbio até hoje continuam a usar seus lenços.

Dança do punhal

Essa dança era uma reverência à deusa Selkis, a rainha dos escorpiões e representa a morte, a

transformação e o sexo.

Zaar

É uma dança de êxtase, praticada no norte da África e no Oriente Médio, não aceita pelo

Islamismo. Ele é melhor descrito como sendo uma "cerimônia de cura", na qual utiliza-se

percussão e dança. Funciona também como uma forma de compartilhar conhecimento e

solidariedade entre as mulheres destas culturas patriarcais. No Zaar, a maior parte dos líderes

e dos participantes é mulheres. Muitos estudiosos têm notado que, embora a maioria dos

espíritos transmissores seja masculina, as "receptoras" geralmente são mulheres.

Isto não significa que os homens não participem das cerimônias Zaar; eles podem ajudar na

percussão, no sacrifício de animais, ou fazer as oferendas. De fato, em algumas culturas

praticantes do Zaar, são observadas tendências em se inserir uma participação masculina

maior, nas quais ele, mais do que cooperador busca tornar-se o líder. Atualmente ocorre uma

proliferação de grupos de culto no Sudão, além de uma diversificação nos tipos de Zaar.

Dança da serpente

Por ser um animal considerado sagrado e símbolo da sabedoria, antigamente as sacerdotisas

dançavam com uma serpente de metal (muitas vezes de ouro). Atualmente veem-se algumas

bailarinas dançando com cobra de verdade, mas isto deve ser visto apenas como um show de

variedades, já que nem nos primórdios da dança o animal era utilizado.

Justamente por ser considerada sagrada, a serpente era apenas representada por adornos

utilizados pelas bailarinas e pelo movimento de seu corpo.

Entre outros estilos...Alguns destes serão detalhados mais a frente aqui na apostila!


Para quem quer aproveitar todos os benefícios da Dança do Ventre e entregar-se de corpo

e alma a ela, deve se preparar para praticá-la. A vestimenta (figurinos) e os acessórios são

peças fundamentais para a prática da dança. Saia, véus e cinturões. Dependendo do tipo

de dança (estilo) e da região, as peças variam bastante.

Uma das peças fundamentais para a prática da dança, a saia, pode variar bastante seu modelo

e a mulher deve escolher o que mais lhe agrada em termos de conforto e gosto pessoal,

respeitando sempre as tradições da Dança do Ventre.

Outra peça importantíssima é o bustiê. Pode ser usado um sutiã meia-taça bordado da mesma

cor da saia ou do cinturão. Pode ser usado também um tecido brilhante, como a fazenda

paetê, por exemplo. O acabamento pode ter como enfeite algumas pérolas, moedas, correntes

e miçangas penduradas.

O cinturão não é preso à saia, mas colocado sobre ela. Outros modelos de saia não tem

cinturão, e sim o bordado na propria saia.

O cinturão é uma peça que marca o quadril e embeleza a saia. De preferência, escolha um

modelo da mesma cor do bustiê, pois, assim poderá ser usado com várias saias.

Como complementos de extrema beleza, você pode utilizar os mais diversos acessórios. Os

diademas (ornamento de cabeça), colares, correntinhas, brincos grandes, pulseiras, braceletes,

anéis, tornozeleiras, etc

Dica: Seja bastante criativa na escolha de sua roupa e "mergulhe" fundo no mundo mágico da

Dança do Ventre.

Véus

O véu está presente em várias passagens de textos que descrevem a dança dos povos do

Antigo Egito. Quando se fala da importância e significado do véu, devemos relembrar que os

movimentos da Dança Oriental estão relacionados com os quatro elementos da natureza e,

portanto o véu relaciona-se com o elemento ar.

O véu representa toda energia do elemento ar. É como se imaginar em um deserto onde o

vento toca o tecido do véu, e o véu toca o corpo da bailarina fazendo com que os movimentos

sejam executados com gestos angelicais e sensuais.

Através da beleza, da suavidade dos movimentos, a bailarina vai se tornando leve, como se

pudesse flutuar e sentir ainda mais o despertar de sua Deusa interior.

Toda essa energia positiva pode ser transmitida para o público.

Dançar com véus não permite movimentos mecânicos. A bailarina precisa sentir toda a

emoção. Dançar com véus é como ler uma poesia e senti-la na alma.

Comparação com a natureza – as quatro fases da lua:


Minguante: O momento de entrada da bailarina, que esconde seu corpo com o véu,

mostrando o mistério a ser revelado mais tarde.

Crescente: O momento em que a bailarina solta o véu e revela o mistério...e a música

neste momento torna-se mais rápida, acompanhada pelos passos mais acelerados da

bailarina.

Cheia: O ápice da apresentação, o momento de plenitude, onde a bailarina gira e desloca-

se pelo ambiente exalando energia e vitalidade.

Nova: O momento em que a música torna-se mais lenta e a bailarina mostra movimentos

sinuosos com os quadris e ondulações com o seu ventre.

É preciso praticar sempre, para que novos movimentos surjam quando ocorre o sentimento de

entrega, e a bailarina se deixa levar pelo encanto e magia do véu.

Tipos de véus:

Podem ser retangulares, quadrados ou arredondados.

Devem ser leves, com caída e de preferência transparentes. Os tecidos mais indicados são:

Seda

Organza toque de seda

Palha de seda

Musselina de seda

Crepe Georgette

O voil, organza e organza cristal não são muito indicados pelo peso que tira a suavidade da

dança, mas são bastante indicados para treino e ganho de habilidade com os véus.

Existe o tamanho padrão de 2,30 por X 1,40, mas o mesmo pode variar de acordo com a altura

da bailarina ou a necessidade conforme a performance a ser apresentada.

Os véus grandes são mais difíceis de dançar. A bailarina deve usar esse véu somente quando já

estiver com habilidade.

Os médios (padrão) permitem melhor realização dos movimentos.

Os véus pequenos são mais utilizados em danças folclóricas, presos na saia, no cabelo ou como

chador ou em danças especificas como Dança dos Sete Véus.

Antes de uma apresentação com véus treine bastante para encontrar a melhor maneira de

prendê-lo se for o caso, e retirá-lo.

Mesmo com muito treino, pode acontecer um imprevisto e você não conseguir executar o

movimento conforme planejado. Se isso acontecer, disfarce, vire, fique de costas ate conseguir

contornar o problema. Não demonstre que errou.

Aproveite o momento e sinta, crie um mistério, interprete e tudo dará certo.

Estude também como e em que momento da música vai retirar o véu deixá-lo cair ou jogá-lo.

No momento de soltá-lo, em alguns casos recomenda-se uma reverencia ao véu (dependendo

da música). Você pode jogá-lo estrategicamente, evitando que caia sobre mesas, copos,

comidas.


A técnica é sem duvida fundamental, mas você poderá evoluir muito mais se unir à

técnica com a emoção. Será possível despertar a sua Deusa Interior e iniciar a verdadeira

transformação.

Dança com Snujs

Os snujs são címbalos de metal, em número de quatro, tocados milenarmente por bailarinas

orientais. Em alguns países do Oriente Médio são também conhecidos como "sagat" ou

"zagat". Nos Estados Unidos, chamam-se "finger cymbals" e na Turquia "zills".

São encaixados nos dedos polegares e médios, e o elástico deve ficar atrás das cutículas.

Pode ser tocado livremente seguindo a música cantada ou o ritmo em questão.

É fundamental o conhecimento dos ritmos árabes para dança. Saber tocá-los com os snujs,

facilitará muitos aspectos de seus movimentos, pois conhecerá o tempo e a forma de cada um

deles.

Existe a crença que os snujs atuam como purificadores da energia do ambiente, transmutando

a energia negativa em positiva, além de servir para acompanhar o ritmo da música. Mais que

címbalos de metal que purificam os ambientes os Snujs são uma fonte de energia que alegra

os corações trazendo harmonia e paz.

Os Snujs dão vivacidade às apresentações. É impossível não enriquecer uma dança quando

tocados de acordo e nos momentos certos.

No Flamenco as bailarinas tocam suas castanholas administrando as variações de sonoridade

da cada ritmo do Flamenco. Na dança do ventre os Snujs são instrumentos de percussão que

podem ser tocados tanto pela bailarina como pelos músicos.

O aprendizado de Snujs requer paciência, dedicação e excepcional habilidade, pois está

relacionado com a musicalidade de cada pessoa e do entendimento dos ritmos árabes. O

resultado é o equilíbrio entre os movimentos corporais, a música e o toque dos Snujs, que

fluem como se fosse magia. Portanto, não tenha pressa...

Quando você dança com snujs, sua concentração está em três pontos:

 Nos movimentos

 Na expressão facial

 No batimento correto do tilintar no tempo certo do momento musical

É muito difícil manter os três ao mesmo tempo. Sem expressão facial, a sua dança fica pobre e

comercial. Toque menos se achar que irá prejudicar sua expressão.

Dança com Taças

Nesta dança utilizamos o fogo das velas que representa a vida.


Dança-se com duas taças. Geralmente apresentada em casamentos, batizados,

aniversários, onde as velas simbolizam a luminosidade para a próxima etapa ou começo

da vida.

É uma dança que serve também para purificar o ambiente.

As luzes iluminam o corpo, os trajes da bailarina e também o ambiente. Por isso, para esta

dança recomenda-se que este não seja muito claro, mas sim na penumbra.

O traje a ser utilizado pode ser o tradicional de Dança do Ventre.

Também não há um ritmo específico, mas as musicas selecionadas devem ser mais lentas e

clássicas.

Por ser uma dança mais lenta, delicada e misteriosa, pode-se realizar bastante movimentos de

chão, movimentos ondulatórios e cambrets.

As taças podem ser equilibradas em várias partes do corpo, com habilidade, sensualidade e

equilíbrio.

Para aumentar o ar de mistério, o véu pode ser utilizado para cobrir o corpo no inicio da

dança, e após deixar as taças os mesmos podem ser retirados.

Ao deixar as taças, dependendo do ambiente e da ocasião, recomenda-se apagá-las para evitar

acidentes.

Nas festas de aniversário, uma homenagem muito especial é oferecer ao aniversariante as

tacinhas para apagar, representando as velas de aniversário.

Dança da Espada (Raks Al Saif)

Há diversas versões para a origem da dança com a espada:

Uma delas diz que surgiu como uma forma simbólica de libertação das mulheres, que em

diversos contextos históricos, foram subjugadas pelos homens. Elas começaram a dançar com

estas armas de guerra, símbolos da violência e do poder com movimentos sinuosos, delicados

e com equilíbrio, mostrando total controle do objeto. A lição de moral é muito bela e

representativa: “Você controla a minha vida, mas não o meu espírito.”

Outra diz que as bailarinas pegavam as armas dos soldados e brincavam mostrando sua

habilidade e suavidade, procurando distraí-los e resgatar a paz e alegria entre a violência e

conflitos das guerras.

Outra versão indica que a dança é uma homenagem à deusa egípcia Neit, considerada

protetora, caçadora, guerreira e que abria caminhos.

Há também quem diga que elas dançavam assim como uma espécie de agradecimento ou

celebração da vitória na guerra. Neste sentido, a dança reflete a luta dos árabes pela terra.

Há ainda a lenda de Arthur, que desenterrou a espada da rocha, tornou-se o Rei da Bretanha e

liderou os Cavaleiros da Távola Redonda, recebendo mais tarde a espada Excalibur.


Por fim, outra lenda conta que elas precisavam demonstrar habilidades para seus

reis. Em uma das versões conta-se que em uma destas apresentações em que a bailarina

brincava com a espada, a mesma enroscou na fresta do chão e ficou presa refletindo luzes

por todo o salão, encantando os presentes com um acontecimento inesperado.

Esta dança demonstra habilidade, técnica de dissociação e perfeito controle dos

movimentos e do corpo, consagrando também a evolução da bailarina, não somente em

técnicas corporais, mas em termos de energia de poder, proteção e espiritualidade.

Requer habilidade, destreza, naturalidade, equilíbrio, estabilidade e autocontrole.

Entre os movimentos pode-se equilibrar a espada em varias partes do corpo. Não é uma dança

fácil, exigindo força, muito treino, correções e postura.

A bailarina pode equilibrar a espada na cabeça (um dos momentos mais aguardados pelo

publico), na mão, na cintura, no busto, no abdômen e na perna enquanto dança. Mas não se

pode esquecer também da leveza, graciosidade e do charme presentes nesta dança. Deve-se

demonstrar domínio e expressão natural ao executar a dança. Exige para isso muito treino,

pratica e dedicação.

Além de equilibrar a espada, a bailarina também pode fazer outros movimentos com a espada

no ar e realizar outros movimentos característicos da dança do ventre como oitos, redondos,

ondulações, batidas, tremidos, giros, deslocamentos entre outros.

Movimentos de chão podem ser feitos, tomando-se sempre o cuidado com a roupa e o local

da apresentação.

Esta dança não requer ritmos ou trajes específicos, mas devem-se evitar os ritmos folclóricos.

Geralmente é dançada em um ritmo mais lento, podendo a música apresentar algumas partes

rápidas.

Uma dança poderosa que exerce grande fascínio sobre o publico, com um misto de admiração

e medo. Quando bem executada, com técnica, expressão, habilidade e domínio, possibilita um

verdadeiro deslumbramento.

A espada pode ser de diversos materiais e ter vários pesos.

Você pode escolher entre espadas com chanfradura, lixa ou parafina no chamado ponto de

equilíbrio, região na qual você deve equilibrar a espada. O cabo pode ser em metal, madeira

ou com acabamento em couro. Cuidado com as lixas, que podem quebrar todo o cabelo, ainda

mais se você tiver dificuldade de equilibrá-la.

Cuidado ao querer mostrar o controle sobre a espada. Recentemente, algumas apresentações

estão parecidas com espetáculos circenses, com pouca dança e muita acrobacia,

descaracterizando a dança propriamente dita.

Dança do Candelabro (Raks El Shamadan)

Dança antiga, que fazia parte das celebrações egípcias de casamento, nascimento e

aniversários com forte influencia grega ou judaica, e ainda é utilizada em muitos países árabes.

Muito comum no Egito, essa dança pode ter alguma relação com as tradições judaicas, que

também tem o castiçal em sua simbologia.


A bailarina usa um candelabro sobre a cabeça, que pode ter de 7 (numero cabalístico

que tem um significado mágico em varias manifestações na vida) a 14 velas.

Antigamente, antes da eletricidade, o candelabro guiava a noiva até sua nova residência, a

dançarina ia à frente iluminando as ruas escuras, as velas anunciavam que o casamento

tinha acontecido.

Assim, é comum que uma bailarina entre como em um cortejo à frente dos noivos,

dançando com o candelabro.

Desta maneira ela procura iluminar o caminho do casal, como uma forma de trazer felicidade

para ele. É uma dança que serve para celebrar a vida e a união entre as pessoas.

Não tem traje ou ritmo específico, mas geralmente dança-se ao som do ritmo Zaff ou na

versão mais lenta do Malfuf, e recomenda-se que dance com o abdome coberto.

Um véu entre o cabelo e o candelabro evita que a cera caia sobre os cabelos e corpo e a

bailarina pode usa-lo também como adereço. Um bolerinho bordado e enfeitado com

pingentes pode ser usado para proteger os braços.

De qualquer forma é importante que a música seja lenta, pelo menos na maior parte do

tempo, pois com o candelabro não é possível realizar muita variedade de movimentos rápidos.

É uma dança que requer mais movimentos delicados e sinuosos, além de bastante equilíbrio.

Esta dança é a consagração da bailarina em um estagio mais avançado do seu

desenvolvimento, onde pode demonstrar habilidade, equilíbrio, leveza, charme, domínio e

técnica.

Folclore - Dabke

A natureza do solo libanês, o clima mediterrâneo, as dificuldades do cotidiano contribuíram

para a formação de certos hábitos do seu povo; o folclore é o movimento de encenação dessas

experiências.

O Dabke, expressão que significa “bater os pés”, é a principal dança do folclore libanês. Sua

origem é antiga e sua história está relacionada com o trabalho.

Desde o tempo dos fenícios (cerca de 4.000 a.c.), a cobertura de telhados planos nas casas do

oriente médio era feita de ramos cobertos com barro. Na mudança de estação entre o outono

e o inverno, a dilatação proporcionava rachaduras nessas coberturas, fazendo com que as

chuvas de inverno trouxessem vazamentos.

Por isso, os proprietários das casas pediam ajuda aos vizinhos para recompor a mistura. Todos

subiam no telhado, seguravam as mãos, formavam uma linha e começavam a bater os pés

enquanto caminhavam sobre o forro com a finalidade de ajustar o barro;

fazendo com que penetrasse em todas as frestas, a fim de evitar os vazamentos. Com o

acompanhamento de um Derbake e uma flauta Mijwiz os homens se distraiam no ritual das

batidas e assim podiam compactar os telhados de suas aldeias e das aldeias vizinhas, mesmo

sob o frio e a chuva.


Conforme o tempo emergiu, a dança Dabke se tornou uma das tradições Libanesas

mais famosas. Hoje o Dabke é performance em toda casa Libanesa. O Dabke anima a vida,

quando amigos e parentes se juntam e começam a praticar a dança. No inicio somente os

homens dançavam, e depois as mulheres foram juntando-se a eles. Realizado em grupo,

tem a participação de toda a família.

O Dabke não requer o movimento dos braços, marca-se o ritmo com as batidas dos pés e

mesmo quem não faz parte da colônia, ou não conhece a dança, entra no clima pela

alegria e facilidade da execução dos passos.

Mais tarde, um rolo de pedra substituiu os homens que, no entanto, já acostumados,

continuavam a bater os pés nas ruas da aldeia."

A Dança do Vilarejo Libanês

...“Um homem idoso entra em cena carregando um derbake (um pequeno tambor feito de um

cilindro de madeira e pele de carneiro esticada), seguido de uma turma de outros com seus

nay e mijwiz (o nay é uma flauta de bambu simples longo e o mijwiz é uma flauta dupla mais

curta).

A musica começa a tocar, e a brisa fresca da tarde de Setembro está em todo lugar. Alguns

homens e mulheres seguram as mãos e começam a dançar o Dabke, enquanto outros batem

palmas criando o ritmo apropriado.

Conforme o tempo vai passando, os mais velhos vêm participar também, segurando as mãos

com os mais jovens formando uma linha única e fazendo o mesmo passo.

O homem e mulher nas extremidades opostas da linha fazem passos diferentes para

mostrarem quão competentes, ágeis e graciosos eles são. O resto da turma bate palma e canta

para revelar sua felicidade.

Felizmente, de todas as tradições libanesas essa cena não morreu, especialmente nos

Vilarejos.

O Dabke é uma dança nacional Libanesa que é levada em todo Clube, restaurante, ou festa.”


Folclore - Raks El Assaya

Dança do Bastão

Dança originária de El Said, região do Alto Egito. Faz referencia a dança masculina

denominada Tahtib, que representa o homem que usa o cajado para reunir o rebanho,

caminhar e se proteger.

No Tahtib uma falsa luta é iniciada pela dança mostrando, através da postura, a força

masculina. Os homens se atacam e se desviam dos golpes de acordo com a musica. Seus

movimentos são fortes, ágeis, marcados por saltos, giros e batidas de bastões.

Os homens usavam longos bastões na simulação da luta, chamados Shoumas.

As mulheres usam um bastão leve ou bengala, imitando-os, porém de maneira suave e

feminina usando habilidade e equilíbrio.

As mulheres utilizam movimentos mais graciosos e charmosos, sem o uso de tanta força,

misturando destreza e delicadeza.

A roupa típica desta dança é um vestido e um lenço no quadril. Não deve ser utilizada roupa

comum de Dança do Ventre.

É uma dança bastante utilizada em ocasiões festivas.

O ritmo tradicionalmente usado é o Said (nome do local de origem desta dança). Outra

característica que identifica esta dança é a utilização dos instrumentos de sopro (nay, mizmar e

mijuez), dentre outros instrumentos que a musica pode apresentar.

Ritmo Said:

DUM TAKA DUM DUM TAKA-TÁ TAKA

Folclore - Khaleege

Khaleege em árabe significa Golfo, é uma dança folclórica originada nos países do Golfo

Pérsico e Arábia Saudita.

É também chamada de “dança dos desertos”, pois os nômades são os dançarinos tradicionais.

É tradicionalmente feita por mulheres das tribos nômades em grandes círculos com

várias pessoas em volta. Comumente vista em festas femininas e casamentos desde a

antiguidade até os dias de hoje.

As mulheres efetuam gestos que ressaltam a timidez, sendo essa uma dança bastante gestual,

charmosa e expressiva.

O ritmo para o Khaleege é o Soudi.


É dançada com um vestido (túnica) de tecido fino, ricamente bordado por cima da

roupa normal ou da roupa de dança do ventre no caso de uma apresentação. A túnica é

chamada de Galabya.

Tem como passo básico uma forma de arrastar os pés (como se estivesse manca) e a

marcação dos pés se mantém constante todo o tempo.

É muito rica em movimentos de mãos, braços, busto, tronco e ombros.

Os movimentos de cabeça são característicos dessa dança, com destaque para a utilização

dos cabelos, que tem um importante papel, sendo movimentados de forma bastante sensual,

podendo ser jogado de um lado para o outro, em círculos e em oitos, apresentando um

resultado muito alegre e bonito.

A dança também vem sendo executada pelos homens e podemos ver em festas a presença de

mulheres e homens, porém dançando separado


Taksim

É um momento sublime, quando a bailarina mostra toda a sua habilidade em interpretar os

instrumentos melódicos na música oriental, exteriorizando através de movimentos sinuosos,

todas as emoções proporcionadas pela musica, como se os instrumentos tivessem tocando

cada parte do seu corpo, transbordando sentimento e comunicação com o musico e/ou

publico.

O Taksim é um tipo de música onde há apenas o som de um instrumento melódico. É uma

improvisação melódica dos instrumentos de corda, de sopro ou teclado, que pode ter como

base o ritmo whada wo noz entre outros.

Principais Instrumentos - violino, acordeon, flauta (nay), alaúde ou kanoun, entre outros.

No Taksim o músico também está improvisando, o que significa que o que está sendo tocado

não está escrito e que não voltará a se repetir da mesma maneira.


Entre um toque e outro pode haver uma pausa, ou seja, quando há um silencio e a

bailarina deve parar por instantes respeitando o mesmo, como se fosse tirar uma foto.

A bailarina explora as notas, seguindo a melodia e sempre trabalhando a introspecção,

mistério e expressão, mantendo sempre a postura tendo o cuidado para não dançar de

cabeça baixa.

Normalmente a bailarina não usa nenhum acessório (algumas bailarinas gostam de entrar

com o véu).

É um estilo de música que requer da bailarina movimentos mais lentos, contidos, com poucos

deslocamentos em cena.

Há trechos de Taksim em uma música clássica bem como há músicas inteiras de Taksim.

Tipos de Taksim:

- Taksim sobre os ritmos - é um improviso baseando-se em um ou mais ritmos árabes, feito por

um segundo instrumento. O ritmo de base limita os movimentos da bailarina. Esta deve

atentar-se a melodia improvisada do músico e construir e improvisar sua dança.

- Taksim solo - não existe nenhum ritmo de base. É um solo complexo, realizado somente pelo

percussionista que exige perfeita sintonia entre o músico e a bailarina. “O músico na arte de

improvisar; a bailarina na arte de responder aos toques do músico com criatividade e claro,

respeitando o que está sendo tocado.”

Ritmos

Como tocar os ritmos nos snujs:

Dum – ambas as mãos ou somente a sua mão principal

Ta – sua mão principal

Ka – a outra mão

Ta – complemento da mão principal

Para iniciar os estudos dos ritmos na dança do ventre, vamos começar por dois ritmos básicos

da música árabe, o Maksoum e o Baladi.

Maksoum

Maksoum significa “cortado ao meio”, alguma coisa que foi partida pela metade.

É amplamente utilizado na música moderna egípcia. O ritmo Maksoum inicia-se com um DUM.

Possui variações podendo aparecer mais rápido ou mais lento.

Uma diferença em relação ao ritmo Baladi é que o Maksoum inicia com um Dum e o Baladi

com dois Duns.

DUM-TAKATA-DUM-TAKA TAKA


Baladi

A palavra Baladi significa meu povo, pode representar a terra natal e tudo o que tenha

origem popular. Este ritmo é muito típico aparecendo com freqüência na música para

Dança Oriental.

Seus acentos devem ser sempre muito bem representados durante a dança. O Baladi

inicia-se com o Dum duplo.

DUM-DUM-TAKATA-DUM-TAKATA-TAKA

Masmoudi

Ritmo egípcio, muito usado em músicas clássicas para trazer à tona diferentes nuances.

Esta versão com dois duns iniciais chama-se Masmoudi Kebir (Kebir = o grande). Ele se

distingue do Masmoudi Saghir, que é outra versão com três duns iniciais.

Masmoudi de 2 (Kebir) - DUM DUM TAKA- TAKA DUM TAKA-TÁ TAKA

Masmoudi de 3 (Saghir) DUM DUM DUM TAKA-TÁ DUM....

(EMENDANDO) TAKA-TAKA-TAKA-TAKA-TAKA-TAKA

Said

Ritmo originário de El Said no Alto Egito. É o reverso do Baladi. Os dois Duns que iniciam o

Baladi, aqui são encontrados também no centro do compasso.

Muito utilizado para a Dança da Bengala ou do Bastão.

É um ritmo árabe bastante popular executado em ocasiões festivas.

DUM TAK DUM DUM TAKA-TÁ TAKA

Malfuf

Ritmo de origem egípcia, em que a palavra Malfuf significa “embrulhado”.

Muito utilizado em músicas clássicas e solos de Derbake, o Malfuf é um ritmo de deslocamento

da bailarina, onde a mesma passeia pelos palcos com graça e simpatia.

É um ritmo constante e curto, porém pode ser acelerado ou calmo.

É usado principalmente nas entradas e saídas de cena da bailarina. Neste caso, a bailarina

pode abusar dos giros e deslocamentos.

DUM TAK-TA DUM TAK-TA DUM

Chiftitelli

Existem muitas controvérsias a respeito da origem desse ritmo. Alguns acreditam que seja

originário da Turquia principalmente pela etimologia da expressão. Outros acreditam que é

originário da antiga Grécia. Os ritmos grego e turco muito se confundiram através do tempo.

Além de utilizado na Raks El Shark, também é utilizado na Turquia como dança de casais.


Acompanha solos instrumentais de Taksim (improvisação) de instrumentos como o

Alaúde, o Kanoun, o Violino etc...

Trata-se de um ritmo bastante complexo, deixando o percussionista livre para apresentar

inúmeras variações.

DUM TAKA-TAKÁ DUM TAKA-TÁ TAKA-TAKÁ

Wahda Wo Noz

Significa 1 e ½. É um ritmo executado muito lentamente, com 8 tempos. Encontrado em

músicas clássicas e muito presente em solos de derbake. Grande momento para o músico

mostrar habilidades e musicalidade, para compor arranjos e variações belas desse ritmo.

Alguns dizem que lembra o caminhar de um camelo no deserto. A bailarina deve evitar seguir

somente os acentos fortes do ritmo, para não ignorar o solo do instrumento melódico.

D – TAKATAKA - D – D – TK TAKATAKA

Soudi

É bastante presente na dança folclórica Khaleege, originária do Golfo Pérsico. No Khaleege,

este ritmo pode aparecer com estruturas diferentes, de acordo com a região de origem do

estilo.

DUM DUM-Taka-DUM DUM-Taka...

Ayoub

Tem a estrutura 2/4, é bastante confundido com o estilo Zaar (dança em transe, praticada no

Alto Egito de forma privada - por causa do Islamismo) com o qual o Ayoub é dançado. Ele é

encontrado em outros estilos como músicas modernas, rápidas e bem alegres, encontrado

também em músicas folclóricas e em transições de músicas clássicas.

DUM KA DUM Tá...

Jerk

Ritmo moderno com estrutura 4/4, inspirada em uma dança muito parecida com o samba, que

leva o mesmo nome (samba). É bastante executado em solos de derbake, encontrado em

músicas mais modernas.

DUM Tá DUMDUM Tá.......

Zaff

Ritmo com estrutura 4/4 , utilizado em cerimônias de casamento. Dançarinas e músicos

acompanham os noivos na sua chegada e saída. Muitas vezes seguem em procissão também

os parentes e amigos do casal com velas nas mãos e as dançarinas com candelabro. As pessoas

que acompanham cantam para a noiva e lhe desejam votos de fertilidade.

DUM tákátá tá DUM tá tá (pausa) DUM tákátá tá DUM tá tá tá (pausa)


Basicamente uma marcha, provavelmente criado por influências de músicas ocidentais.

Usada em composições modernas no Egito, não é um ritmo tradicional. Caracteriza-se por

ser constante e acelerado.

DUM TÁ, DUM TÁ, DUM TÁ, DUM TÁ,...

Falahi

Versão mais rápida do Maksoum, tocado duas vezes mais rápido do que ele. Eles utilizam este

ritmo em suas celebrações quando estão na época de colheita. Com mais de 100 anos de

existência, é frequentemente utilizado na rotina da dançarina oriental por proporcionar uma

dança com movimentos e muitos sentimentos.

Fallahi vem de Fallahin - nome dado aos camponeses egípcios que para amenizar o árduo

trabalho, costumam dançar e cantar durante a preparação do solo para nova semeadura e

novas colheitas.

D takata D tak

Jabalee

Ritmo folclórico originário das regiões de montanhas do Líbano. Bastante utilizado no

dabke.Os Jabalees (povoado) são pessoas bem simples e festivas, que moram nas montanhas

do Líbano.

DUM, DUM, DUM, TA DUM

Samai

Ritmo com compasso 10/8. Utilizado em músicas egípcias. Possui uma sequência de três

partes: uma com três tempos, uma com quatro tempos e uma com três tempos que, juntas,

compõem um ritmo 10/8. É um ritmo complexo e também utilizado na música sufi turca.

DUM-TAKA-TAKA-TAKATA TAKATA KA DUM DUM-TÁ TAKATA KA TAKA

Vals

O Vals costuma aparecer em músicas clássicas e modernas.

DUM TA TA, mas como todo ritmo, pode ser tocado floreado: DUM KATA KATAKA.

Rush

Em todos os ritmos que estudamos encontramos o famoso “floreado”, modo que o derbakista

pode brincar com a base de um ritmo puro. Muitas vezes é isso que dificulta o reconhecimento

do ritmo quando escutamos uma música, mas nada como ouvir muito para saber diferenciar.

Ele chama RUSH. Sem contagem alguma e com aceleração ao gosto do derbakista, este floreio

natural causa grande impacto na música.


A ideia é que a bailarina toque com o corpo o que está ouvindo e normalmente o que

aparece do som do derbakista é o seguinte:

Tarrrrrrrrrrrrrrrrrrrr….Karrrrrrrrrrrrr….

Pode aparecer sem a presença do ritmo, sendo uma brincadeira do músico.

Se você acha que nunca ouviu, procure por músicas, em especiais os derbakes, que

terminam com os famosos tremidinhos do derbake. Eis o rush.

Floreado utilizado pelo percussionista, que cria um grande impacto na audiência. Não possui

acento pré-determinado nem contagem.

Para o expectador, o instrumento leva a música para dentro de seus ouvidos e o corpo da

bailarina deverá ser a tradução exata das impressões sonoras recebidas.

Montagem Coreográfica

Montar uma coreografia possibilita estudar musicalidade, criatividade coreográfica, expressão,

ritmo, técnica, etc....8

Dançar é expressar os sentimentos através do corpo em forma de arte, portanto menos razão,

mais emoção...Não se cobre tanto e aproveite cada momento dessa descoberta.

Escolha sempre uma música que toque seus sentimentos e suas emoções...independente de

considerá-la fácil ou difícil para montar uma coreografia.

Estude a música com calma! Ouça cada nuance, cada marcação, cada nota da melodia. À

medida que treina o estudo de musicalidade, vai ouvir a música de forma diferente e perceber

coisas que não percebia antes.

Nas músicas cantadas procure saber a tradução, principalmente se for dançar para um publico

conhecedor de música árabe.

E lembre-se!!! Sua coreografia quem sabe é você! Se errar não demonstre.

Deixe a música te levar e se entregue confiante.

E tenham em mente sempre:

Expressão, Ritmo e Técnica – Os três maiores pilares de uma bailarina.

Estrutura Coreográfica

1 – A Entrada

Momento para cumprimentar o publico através da expressão corporal e facial utilizando os

movimentos da dança.

De acordo com a música, você pode entrar no inicio ou fazer um mistério entrando após a

mesma começar; podendo utilizar ou não o véu para a entrada


Faça movimentos de deslocamentos, leves e longos, podendo ir desde uma elegante

caminhada/ desfile até uma performance com véus de acordo com o que a música pedir.

2 – Centralização

Hora de centralizar e desenvolver a dança com seus movimentos propriamente ditos.

Desloque-se, mas mantenha a noção de centralização.

Cuidado para não dançar para o publico de um lado só.....ou dançar quase encostada na

parede....ou quase na beiradinha do palco....

3 - Desafio

Hora de surpreender o publico e se superar.

Faça um movimento desafiador, algo que você tenha treinado bastante e que tenha sentido

mais dificuldade, mas algo que você acha lindo e queira muito fazer.

Exemplos: Na dança com espada, o momento que o publico fica surpreso e receoso é a hora da

espada na cabeça, na dança com bengala um giro duplo rápido com bengala também é

surpreendente, na dança com as taças o giro com elas acesas surpreende, entre outras coisas,

como arabesques, cambret, vários giros seguidos, movimentos de chão, enfim......cada uma

saberá o movimento e o momento.

4 – O Final

Hora da despedida.

Assim como na apresentação, a despedida deve ser feita com deslocamentos longos e giros

para agradecer a atenção do público.

Para encerrar com chave de ouro, a finalização deve ser feita na hora certa e da maneira certa.

O ultimo movimento da bailarina deve ser exatamente no ultimo acorde da música, nem antes

e nem depois, com muita atitude e firmeza.

Músicas que tem um final forte permitem uma pose firme e elegante.

Músicas que terminam abaixando, pedem que a bailarina siga a música, e vá também

diminuindo o ritmo, finalizando no chão se achar apropriado.

Lembre-se do agradecimento e de recolher acessórios que tenha soltado no meio da

apresentação, com muita delicadeza e discrição!

Vale ressaltar que nem todas as músicas tem exatamente essa esta estrutura bem definida.

As músicas que não tem exigem que a bailarina estude a mesma e faça com que a sua

coreografia se encaixe na mesma, passando por todas essas etapas.


Dicas valiosas!!!

Para a sua primeira apresentação....

para as demais...e muito mais!!!

Controle sua ansiedade.......acalme-se!!!

É perfeitamente normal ficar ansiosa antes da primeira apresentação de dança. Muito estudo,

muito treino, muito ensaio, muita correria...mas, esta deverá ser a primeira de muitas

apresentações, portanto procure se acalmar. Cabeça no lugar para pensar em tudo o que é

necessário!!!!

A ansiedade faz e só gera mais ansiedade. Procure ficar calma! Se você ficar “ligada” o tempo

todo vai criar uma tensão e stress desnecessário. Procure fazer tudo no seu tempo normal e

com calma. Na hora tudo há de dar certo!!!

A musica e o tempo certo

Cuidado com o tempo da música. Músicas muito longas cansam os convidados, tornam o show

monótono e principalmente requerem um conhecimento e técnica avançadas para manter o

publico atento. O tempo ideal é aquele em que o clima de magia não se esvai e as pessoas

ficam com a sensação de que acabou antes do esperado...gostinho de quero mais. Opte por

fazer um show curto e agradável. Cinco ou seis minutos no máximo. No caso de quem está

começando a carga de conhecimento ainda não propicia um leque de movimentos suficientes

para espaços mais longos. O que pode acontecer é uma sucessão de movimentos repetitivos,

gerados pela própria inexperiência.

Procure treinar a música que você escolheu para se apresentar. Dance algumas vezes. Faça

algumas marcações, mesmo tendo em mente que na hora pode sair algo completamente

diferente de tudo daquilo. Mas este exercício é importante para sua familiarização com a

música e para desenvolver sua criatividade.


 
 
 

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